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Muito Além do Estetoscópio: a fusão entre saúde e tecnologias

  • Cirurgiões, os novos pilotos?

    setembro 25th, 2024

    Já é chegada a hora em que cirurgiões precisam ser treinados como pilotos de avião.

    Imagine-se entrando num avião no qual o piloto nunca treinou vôos em simuladores realísticos em solo e não colocando a vida de ninguém em risco. Você toparia? Creio que não.

    E você, gostaria de ter como cirurgião, um médico, com formação prática aquém da possibilidade e ele estar no “comando” de sua cirurgia? Também creio que não.

    Um estudo da Universidade de Michigan descobriu que cerca de 30% do cirurgiões recém formados não tinham habilidades necessárias para realizar cirurgias sozinhos, mesmo após a residência médica.

    Com a abertura desenfreada de novas faculdades de Medicina no país e programas de residência médica com qualificações questionáveis, a preocupação com a formação dos cirurgiões deve ser ainda maior. A disparidade parece ser grande. Em serviços de ponta, médicos residentes realizam o número de cirurgia preconizado pelo MEC para que saiam com uma formação adequada. Já em outros, a formação pode não ser completa.

    A partir desse cenário, podemos “tomar” dos programas e faculdades de formação de pilotos de avião a experiência já aprendida e transportar para a Medicina, no caso, para a cirugia.

    Todo o piloto, para chegar o momento de pilotar um avião, precisa de horas num simulador, passar por testes e, somente após, sentar em frente ao manche de um avião. Como co-piloto.

    A proposta de vários autores é criar um programa de treinamento para jovens residentes em cirurgia utilizando a realidade aumentada(AR) e a realidade virtual(VR) durante seus anos de formação.

    A VR, por definição, é o uso de tecnologia computacional para criar um ambiente simulado, colocando o usuário imerso numa experiência. Essas plataformas abordam diretamente lacunas de habilidades, fornecendo treinamento prático e imersivo que simula de perto o ambiente de uma sala de cirurgia. Além disso, essas plataformas de realidade virtual oferecem treinamento portátil e sob demanda que pode ser usado a qualquer hora e em qualquer lugar.

    O uso desses simuladores cirúrgicos pode, além de melhorar a prática cirúrgica, monitorar e apresentar relatórios do desempenho e apontar detalhes que devem ser aperfeiçoados. Isso vai muito além do que um médico preceptor pode contribuir.

    O professor Robert Watcher, em seu livro The Digital Doctor, passou um dia inteiro no centro da Boeing, em Seattle, utilizando o simulador da empresa para entender como a simulação funciona e ainda como replicar seus aprendizados na Medicina.

    Sabemos que a formação médica está muito atrás das inovações tecnológicas. Elas e os novos dispositivos médicos vêm para melhorar qualidade no atendimento em saúde e para salvar vidas.

    Outro recente estudo em procedimentos ortopédicos realizado pela UCLA comprovou a eficiência do treinamento em VR com o uso da plataforma Osso VR.  O grupo treinado com VR em relação ao grupo treinado tradicionalmente teve uma melhoria geral de 230% na pontuação total. Os participantes treinados em VR concluíram o procedimento em média 20% mais rápido do que o grupo treinado tradicionalmente. Eles também concluíram 38% mais etapas corretamente na lista de verificação específica do procedimento.

    Claro, novos estudos estão em andamento e precisam replicar esses resultados. Claro, são tecnologias caras e a mudança de paradigma não será facilmente aceitada, como tudo na Medicina, mas a segurança nas cirurgias e a vida humana devem ser prioridades e tem um custo muito mais elevado.

    Portanto, o cenário cirúrgico em rápida evolução atualmente exige novas maneiras de fornecer acesso à educação cirúrgica experimental. Além disso, devemos formalizar nossa abordagem de avaliação técnica para medir de forma mais objetiva as capacidades dos cirurgiões, garantindo um nível consistente de qualidade e um conjunto de habilidades padronizado de nossa força de trabalho cirúrgica.

  • Hiper-Personalização em Saúde: O Poder da Inteligência Artificial

    julho 9th, 2024

    🎯 Transformando a Saúde com IA: Uma Nova Era de Cuidados Personalizados

    💡 O Poder da Hiper-Personalização
    A IA, através da hiper-personalização, pode oferecer intervenções precisas e em tempo real, desde lembretes de medicação até sugestões de alimentação e exercícios, adaptadas ao estilo de vida e preferências individuais.

    Um impressionante número: 129 milhões de americanos tem pelo menos uma doença crônica grave — e 90% dos US$ 4,1 trilhões anuais de gastos em saúde são destinados ao tratamento dessas condições físicas e de saúde mental. Após alguns anos de queda na expectativa de vida dos norte-americanos, em 2022 ela voltou a crescer. Embora não tenha retornado aos maiores patamares históricos.

    📲 Recomendações personalizadas
    A maioria das recomendações de saúde atualmente, embora importantes, são genéricas: seu smartphone pode enviar um lembrete automatizado de saúde como: aviso para tomar vacina contra a gripe ou realizar sua mamografia. Seu smartwatch pode alertá-lo para respirar ou se levantar. O coach de saúde de IA tornará possível recomendações muito precisas adaptadas para cada pessoa.

    Isso teria um impacto não apenas na nossa saúde física, mas também na nossa saúde mental e emocional. Quando estamos esgotados e estressados, somos mais propensos a escolher opções como rolar sem parar nas redes sociais ou comer emocionalmente, o que pode nos dar um rápido pico de dopamina, mas não nos tornarão saudáveis ou felizes a longo prazo

    🔍 Parcerias Estratégicas
    Parcerias como a entre OpenAI e Color Health estão utilizando IA para auxiliar médicos em diagnósticos e planos de tratamento. Além disso, o Thrive AI Health visa criar coaches de saúde personalizados, promovendo hábitos mais saudáveis e acessíveis. Através de um aplicativo que será treinado com base na melhor ciência revisada por pares e também será treinado com base nos dados biométricos pessoais, laboratoriais e outros dados médicos. Ele aprenderá suas preferências e padrões nos cinco comportamentos primordiais de saúde: sono de qualidade; alimentos você ama e não ama; como e quando você é mais propenso a caminhar, se mover e alongar; e as maneiras mais eficazes de reduzir o estresse

    🌐 Acessibilidade e Equidade
    A IA democratiza os benefícios dos cuidados de saúde, tornando as mudanças de comportamento mais fáceis e acessíveis para todos, especialmente para populações desfavorecidas que sofrem mais com doenças crônicas.

    🚀 O Futuro da Saúde
    Com o suporte de políticas públicas adequadas e a integração cuidadosa da IA nas práticas médicas, podemos transformar o sistema de saúde, proporcionando bem-estar e longevidade para milhões de pessoas.

    Vamos juntos aproveitar essa revolução tecnológica para uma saúde melhor e mais inclusiva!

    IA #Saúde #Medicina #Tecnologia #Inovação #CuidadosPersonalizados #ThriveAIHealrh #OpenAI #BemEstar

    https://time.com/6994739/ai-behavior-change-health-care/

  • A IA é a nova especialista da Medicina?

    março 27th, 2024

    Desde os primórdios da Medicina, a troca de informações, as orientações, enfim, a consulta médica era papel exclusivo do especialista, o médico. Dos atendimentos em hospitais à telemedicina, a voz era do especialista.

    Com a implementação das tecnologias na saúde e o avanço delas na ajuda nas tomadas de decisões, o médico estaria perdendo espaço para a Inteligência Artificial(IA), por exemplo?

    Com o desenvolvimento de modelos de IA e linguagem(LLM) cada vez mais sofisticados, está se tornando cada vez mais claro que o conjunto de habilidades cognitivas de muitos (se não a maioria) dos médicos está sendo superado pela tecnologia. Isso levanta a questão: o que significa ser um especialista em medicina hoje? Como os médicos podem se adaptar a essa nova realidade para otimizar o atendimento?

    Acima, um modelo de linguagem chamado Truveta, que usa dados não identificados para ser treinado suplantando ou pelo menos equiparando sua eficácia aos conhecimento médico.

    No último #SouthSummit, em um debate, ficou claro que cerca de 1/3 dos dados produzidos no mundo tem origem na saúde e é humanamente impossível um médico conseguir ler e aprender com a mesma velocidade que os dados são gerados.

    Não, as máquinas não substituirão os médicos(pelo menos não por enquanto). Está na hora de nós profissionais da saúde “abrirmos nossas cabeças” e nos prepararmos para uma Medicina Híbrida? Como nossas vidas já são?

    O aumento exponencial da capacidade computacional está chegando num momento em que está ultrapassando a capacidade humana de compreensão e análise dos dados(exames, interações medicamentosas, etc) a um nível que provavelmente não haverá Medicina de qualidade sem o uso de suporte tecnológico.

    “A Inteligência Artificial fará o médico mais humano”, Eric Topol. O cardiologista americano acredita que com a grande demanda burocrática na Medicina, associada aos LLMs fará o médico estar “mais presente” na consulta médica, anotando todas as informações e liberando o médico da obrigação de passar mais tempo da consulta com formulários do que com pacientes.

    A crescente capacidade e valor das IA e LLMs são inegáveis. A capacidade de analisar grandes quantidades de dados e desenvolver uma compreensão de conceitos complexos, da medicina aos negócios, a IA impôs uma “trajectória de mudança” que afetará quase todos os aspectos de nossas vidas.

    Cabe a cada um de nós estarmos preparados para essa nova Medicina.

    Claro que temos que superar impasses de vieses nos treinamentos dos algoritmos de IA. Precisamos conhecer base de dados de treinamentos para que saibamos que tipo de informação está nos auxiliando. E, ainda, há a necessidade da criação de comitês de regulação e vigilância sobre a integridade controle dos dados pessoais e o uso que será feito de nossos dados. Lembrando: “quando não pagamos por um serviço(digital especialmente), podemos ser o produto”. E nossos dados a moeda. Vide mídias sociais.

  • Tendências na saúde para 2024!

    março 26th, 2024

    Início de ano sempre criamos nossas proposições para o ano vindouro. Na saúde, não é diferente. E eu, como entusiasta na saúde, não deixo de ler todas(as que consigo).

    Para a @Deloitte, as tendências que virão para a saúde de 2024 são mais amplas do que simplesmente citar essa ou outra tecnologia.

    Vamos a algumas delas:

    1. A IA generativa poderia impulsionar a transformação digital: a tão prospectada transformação digital poderia ter como aliado a IA generativa e seus #LLMs como aliado. Os modelos de linguagem trariam como benefício a automação de tarefas burocráticas, como formulários, diminuindo #burnoutmédico. Além disso, contribuiriam para diagnósticos precoces, especialmente de doenças raras.

    Para as organizações, a atualização na infraestrutura tecnológica e a estrutura de dados e fluxos de trabalho operacionais seriam necessários;

    2. “Estruturas de tecnologia confiáveis” podem avançar com a adoção da IA: A inteligência artificial tem o potencial de afetar o atendimento ao paciente, segurança e #equidade em saúde. Para isso, critérios éticos e legais devem ser rígidos.

    3. Usuários assumirão o papel principal na gestão de sua saúde: através de decisões baseadas em dados e sob posse dos dados de saúde, os usuários dos sistemas de saúde(nós) conseguirão ser guias da qualidade de suas vidas. Gestoras utilizarão dados como dieta e atividade física, por exemplo, para personalizar planos de saúde e gerir melhor suas carteiras de usuários.

    4. Grandes avanços nas ciências de dados continuarão a surgir: a IA continuará otimizando na saúde: descoberta de novas drogas, tratamentos personalizados serão cada vez mais comuns, através da extração e a relação da saúde com dados(genética, estilo de vida) a IA terá papel fundamental em 2024.

    Para você, elas fazem sentido? Como você enxerga essas tendências no ambiente de saúde brasileiro?

    #

  • De Asimov a Moravec, and beyond!

    março 15th, 2024

    Em 1950, Issac Asimov postulou as leis da robótica: 1. um robô não pode ferir um humano ou permitir que um humano sofra algum mal; 2. os robôs devem obedecer às ordens dos humanos, exceto nos casos em que essas ordens entrem em conflito com a primeira lei; 3. um robô deve proteger sua própria existência, desde que não entre em conflito com as leis anteriores. Essas leis foram escritos no livro Eu, robô. Que também virou filme em 2004, homônimo.

    Na década de 1980, Moravec postulou seu Paradoxo dizendo: “ ao contrário das suposições tradicionais da robótica e inteligência artificial(IA), o raciocínio requer muito pouca computação, mas as habilidades sensório-motoras e de percepção exigem enormes recursos computacionais”. Em outras palavras, “é comparativamente fácil fazer os computadores exibirem desempenho de nível adulto em testes de inteligência ou jogar damas, e difícil ou impossível dar-lhes as habilidades de uma criança de um ano quando se trata de percepção e mobilidade”.

    Já em 2022, a @OpenAI lançou o ChatGPT, uma ferramenta para processamento de linguagem natural, ou LLM(large language model). Desse dia em diante, pipocam diariamente centenas de novas ferramentas e plataformas de IA diariamente.

    E não paramos! A @Evolving_AI lançou #Figure 1. Que, ao meu ponto de vista, é ao mesmo tempo surpreendentemente e assustador. Mas, o que isso teria relação com a Medicina, com a saúde, já que sou médico? Bem, tem muito.

    Ao redor do mundo, a escassez de profissionais da saúde é grande e só aumenta. Claro que estamos longe de um “Figure 1” empático, mas será que esse ser no vídeo já não teria um papel na saúde? Creio que em muitas tarefas diárias de um hospital, por exemplo, ghaceria espaço. Não substituindo enfermeiros e profissionais em tarefas que exijam um “Toque de Médico”, mas auxiliando em tarefas mais mecânicas. Empatia é própria do ser humano. E, será quechegaremos um dia a um robô empático?

    Deixe aí sua opinião para criar ainda mais polêmica na relação Humano-robôs.

    #AI #IA #robótica #OpenAI #Evolving_AI #robotic #LLM

  • Sua consulta está sendo ‘gravada’… e transcrita!

    fevereiro 27th, 2024

    Seguindo um texto que já está em nosso blogue, apresento mais um sobre a ação da Inteligência Artificial na prática clínica.

    A carga burocrática imposta por planos de saúde e mesmo pela atividade médica em si, tomam cerca de 60% do tempo de uma consulta médica. Todos saem desgostosos. Pacientes que alegam que a consulta foi muito rápida. Médicos exaustos devido ao tempo perdido ao preencher guias, formulários para consultas e procedimentos. Perde a relação médico paciente.

    E se conseguíssemos otimizar o preenchimento de formulários médicos, deixando mais tempo para a conversa(anamnese) e exame físico durante a consulta?

    Pois bem, já podemos acreditar que esse futuro já chegou. O uso da Inteligência Artificial(IA) e os tão conhecidos modelos de linguagem(LLMs) tipo ChatGPT já estão sendo empregados com essa finalidade.

    Essa solução já existe. O Dragon Ambient eXperience (DAX), solução da empresa Nuance, grava conversas entre pacientes e profissionais de saúde de forma contínua e segura por meio de um smartphone ou tablet, criando imediatamente uma nota totalmente formatada e completa no prontuário médico. Através da solução de inteligência clínica ambiente (ACI, sigla em inglês para ambient clinical intelligence), uma tecnologia que emprega IA generativa para otimização na coleta de informações.

    Acredita-se que com os médicos bem informados e preparados, os resultados falarão por si mesmos, mas os desafios são grandes. Para diminuí-los, quatro medidas precisam ser consideradas para a implementação bem-sucedida da ACI em um sistema de saúde:

    1. Ter uma estratégia para ajudar os médicos a se adaptarem às mudanças. A tecnologia ACI, por si, é fácil de implementar, mas a adaptação pode ser desafiadora para os médicos. Para tanto, um plano claro para ajudá-los com o novo sistema e integrá-lo ao trabalho diário. Com treinamento, demonstração e suporte contínuo, a adoção tornaria-se mais fácil
    2. Apresentar os benefícios. Os médicos precisam entender como a ACI pode melhorar sua prática clínica, economizando tempo, reduzindo a carga administrativa e permitindo que eles se concentrem mais nos pacientes.
    3. Envolver os líderes clínicos. Eles podem auxiliar com orientações, compartilhamento de experiências positivas e incentivar a adoção. Além disso, médicos em grupos de discussão ou comitês pode ajudar a obter feedbacks valiosos.
    4. Avalie continuamente o progresso. Ao manter vigilância na implementação da ACI é possível identificar desafios e fazer ajustes conforme necessário. A colaboração contínua entre os médicos, líderes clínicos e equipes de TI é essencial para o sucesso a longo prazo.

    Logo, para alcançar uma implementação bem-sucedida da ACI, é essencial combinar estratégia, comunicação eficaz e colaboração entre médicos, líderes clínicos e equipes de TI. A ACI, quando implementada corretamente, tem o potencial de transformar a experiência dos médicos e aprimorar a qualidade do atendimento ao paciente. A integração adequada dessas tecnologias não só otimiza o atendimento, mas também aumenta a satisfação dos médicos, tornando-os menos propensos a retornar aos métodos convencionais.

  • A edição genética em ação

    janeiro 22nd, 2024

    Quando li o livro A Decodificadora de #WalterIsaacson em 2022, notei que a união de duas de minhas paixões, Medicina e tecnologia, estavam se aproximando muito.

    O livro é um biografia de #JenniferDoudna e uma história sobre a CRISPR. Método de edição genética que tinha a intenção, em 2012, de descobrir medicamentos para tratamento de doenças de caráter genético.

    Ainda em 2022, estive na U.C. Berkeley e visitei o Free Spech Movemnte Cafê, onde parte do livro transcorre, e o prédio onde se encontra o Innovative Genomics Center. Centro criado por Jennifer Doudna em Berkeley.

    Após o livro, estudei bastante sobre o assunto, dei uma palestra na #UPF, onde leciono na disciplina Medicina Digital, sobre o assunto em 2023.

    Uma das linhas de pesquisa mais promissoras em doenças a serem tratadas por edição genética é a Anemia Falciforme. Uma doença que afeta mais a população afro-descendente, que causa episódios de dores musculares intensas e tem uma expetativa de vida de 53 anos. Afeta 1:4000 norte-americanos com ancestralidade africana.

    A anemia falciforme, nome dado a alteração na forma das hemácias que passam a serem produzidas com a forma de foice, é causada por herança de duas cópias de um dos genes que fabricam a hemoglobina, célula que transporta o oxigênio para os órgãos. E essa é a principal “vantagem”da doença. Ela tem causa monogenética e, com uma “simples” edição genética no DNA na médula óssea, pode-se curar a doença.

    Essa notícia é sensacional! O laboratório Vertex Pharmaceuticals foi a primeira empresa a ter aprovação do FDA para tratamento.

    Só que as boas notícias acabam por aí. O custo do tratamento terá um preço entre 2 e 3 milhões de dólares. CADA tratamento. Outro grande problema é que, pelo menos por enquanto, o laboratório não pretende levar seu tratamento até a região mais endêmica do mundo em Anemia Falciforme, a África.

    Muito ainda precisa ser feito para que a haja uma Medicina de qualidade e mundialmente bem distribuída. A saúde precisa ser a ciência melhor distribuída e mais universal de todas.

    #saúdeparatodos #ediçãogenética #IA #AI #CRISPR #anemiafalciforme #sickcelldisease #adecodificadora

  • IA e smartwatches superam médicos no diagnóstico de depressão. Novamente!

    dezembro 28th, 2023

    O ano de 2023 será lembrado por muito tempo. A Inteligência Artificial (IA) mudou nosso olhar em praticamente todas as áreas. Na medicina, não foi diferente. Em recente publicação, IA em associação a smartwatches foi mais precisa no diagnóstico de depressão que médicos.

    Sabe-se que 20% dos norteamericanos tiveram diagnóstico de depressão pelo menos uma vez em suas vidas. No mundo, cerca de 300 milhões de pessoas estão em tratamento para depressão atualmente. Números tão alarmantes que a Organização Mundial da Saúde declarou a depressão como a causa principal de depreciação na saúde mundial.

    O diagnóstico de depressão é tão difícil que médicos generalistas detectam-na em cerca de 50% dos casos apenas. Por quê? Simplesmente por que não há um método de imagem ou exame laboratorial para corroborar o diagnóstico.

    E, para aqueles corretamente diagnosticados, as opções terapêuticas são variadas: medicamentos, psicoterapia e, inclusive, mudanças no estilo de vida. E, embora bem tratadas, as respostas são as mais variadas possíveis e fica difícil estabelecer metas de tratamentos.

    Nesse recente estudo, wearables foram utilizados para pesquisar suas capacidades em predizer e diagnosticar depressão. Os smartwatches são especificamente úteis por fornecerem dados como frequência cardíaca, contagem de passos, taxa metabólica, dados sobre sono e interação social.

    Nessa revisão sistemática, foram incluídos 54 artigos e concluiu que a IA pode detectar pacientes com e sem depressão num percentual entre 70 a 89%. O desempenho em detectar e predizer depressão foi melhor do que predizer respostas ao tratamento.

    O uso de IA e smartwatches ainda está no começo e não deve, sobremaneira, substituir tratamento médico, mas abre portas para se tornar mais uma ferramenta no arsenal médico em prol da saúde mental de seus pacientes.

    https://doi.org/10.1038/s41746-023-00828-5

  • Destruição Criativa na Saúde?

    outubro 1st, 2023

    Como os Ciclos de Inovação podem ser replicados na saúde?

      Sou um apaixonado pelos gráficos da @VisualCapitalist. 

      Hoje, fugindo um pouco das inovações tecnológicas na saúde, mas nem tanto já que elas acompanham outras evoluções, decidi fazer uma releitura dessa publicação de 2021(muito curioso para ler uma atualização após pandemia e #IAGenerativa).

      Em 1942, o economista @JosephSchumpeter criou o termo “#DestruiçãoCriativa”. A teoria estudada foi a relação das inovações com long-waves business cycles(ciclos de negócios de ondas longas).

      Para o autor, as inovações tecnológicas impulsionam o crescimento econômico e melhoram os padrões de qualidade de vida.

      Entretanto, em cada nova onda há o aparecimento de monopólios, especialmente nas fases de subida de cada onda, onde surgem os grandes players que produzem grandes fortunas, eliminam rivais e estabelecem #fossoseconômicos.

      Na saúde, não há muita diferença. Embora tenhamos sinais generalizados de uma indústria  “indisciplinada” – resultados de qualidade variável, padronização limitada, baixa transparência e manipulações de preços não fiscalizados. De muitas maneiras, a indústria se assemelha melhor às fases fundamentais e catalisadoras pelas quais a maioria das indústrias passou durante a década de 1900.

      O ritmo lento de industrialização na área de saúde não é por falta de inovação. Na verdade, muitas inovações clínicas estão entre os feitos mais inspiradores do século passado.

     As inovações na área da saúde combateram uma epidemia de HIV, tornando-a uma doença quase curável. Os avanços na genética permitiram tratamentos individualizados contra o câncer e alimentaram as inovações sem precedentes nas vacinas de mRNA durante a pandemia de COVID. Ainda assim, as inovações tecnológicas e operacionais podem ser resistentes à escala e o ritmo de adoção tem sido significativamente mais lento do que em outros setores.

      É importante ressaltar que essas inovações não levaram a uma qualidade consistente ou a custos mais baixos para pacientes e consumidores. Os gastos com saúde cresceram quase o dobro do ritmo do resto da economia. Os custos per capita cresceram cerca 7 vezes nos últimos 40 anos. Os resultados médicos são variáveis. Infelizmente, os gastos mais altos não levaram a melhores resultados. Nos EUA, por exemplo, onde os gastos per capita são astronômicos, U$12.555, se comprados com a média mundial, U$6.414, atingiram, neste ano, a expectativa de vida americana de 2 décadas atrás, 76, anos. Esses dados são independentes à pandemia da COVID-19.

      A digitalização da saúde urge! E Ruge! A democratização das inovações e sua ampla adoção devem ser aceleradas para que resultados como o americano mencionado acima, não se repliquem.

      A saúde do século XXI deve ser: Prevenível, Personalizada, Proativa, Preditiva e Participativa (5Ps da saúde preditiva)

    #innovationcycles #creativedestruction #USlifeexpectancy #long-wavesbusinbesscycle #mRNA #HIV #fosssoeconômicos #ciclosdeinovação #5PsdaMedicina

  • Atenção! Sua consulta pode estar sendo gravada!

    setembro 26th, 2023

    Na Medicina, nada é mais importante que o sigilo médico. Ele consiste em um acordo entre médico e paciente que estabelece que durante o tratamento(p. ex. consulta, cirurgia), o médico deve proteger todos os dados de seus pacientes. Ele está bem estabelecido em uma Resolução do Conselho Federal de Medicina(CFM) e, mais recentemente, na LGPD.

    Dito isso, vamos a nova ferramenta lançada recentemente pela OpenAI, criadora do ChatGPT.

    “A empresa de saúde digital @HintHealth anunciou um produto em colaboração com a OpenAI que permitirá que os médicos registrem uma consulta, transcrevam automaticamente as anotações e, dela, gerem um resumo que pode ser incorporado diretamente no registro médico do paciente.”

    E por que eu, paciente, aceitaria o uso de Inteligência Artificial(IA) na minha consulta médica? Por que você não quer que seu médico esteja cansado e estressado, certo? O burnout médico, segundo estudo publicado no Mayo Clinic Proceedings, está nos maiores índices entre médicos dos EUA. Em 2021, atingiu 62,8%, em comparação com 38,2% em 2020, 43,9% em 2017, 54,4% em 2014 e 45,5% em 2011.

    Além disso, mais de 50% do tempo do atendimento médico fica para preenchimento de documentos e relatórios segundo a AMA(American Medical Association). Aqui no Brasil não está diferente.

    É humanamente impossível um médico prestar o melhor atendimento com todas essas atividades burocráticas e ainda com excesso de trabalho.

    Por isso, é importante ter em mente que a IA estar ouvindo sua próxima consulta médica pode ser benéfica, sem que a relação médico-paciente seja quebrada. Como? Com IAs Generativas, tipo ChatGPT, o médico pode se dedicar mais ao paciente durante a consulta, por exemplo, sem precisar ficar escrevendo no seu computador, mas há questões que precisam ficar claras. Primeiro, o paciente precisa estar ciente que uma ferramenta de IA está sendo usada em sua consulta. O médico tem a obrigação de garantir sigilo médico e lhe questionar se você, paciente, concede autorização para o uso dessa tecnologia.

    Empresas como @GlassHealth , acreditam que poderiam reduzir drasticamente o preenchimento da “papelada” que os médicos enfrentam em suas vidas diárias e melhorar drasticamente a relação paciente-médico. Essa ferramenta que utiliza IA, nada mais é do que um “tradutor” de voz para escrita, um tipo de OCR(Optical Character Recognition) para áudio. Ainda há muito receio da atuação desses softwares quando se verifica a necessidade de “tomar uma decisão”(decision-making), mas essas empresas estão trabalhando para provar a segurança e eficácia dessas ferramentas.

    Então, ganhamos muito com médicos assistidos pela IA e podemos perder um pouco de nossa privacidade em troca.

    Ilustração: Sarah Grillo/Axios

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